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Editorial: A velha aliança

Outubro 6, 2007

Desde os primórdios da nação portuguesa que Portugal e Inglaterra mantêm relações de amizade. Nos reinados de D. Fernando e D. João I celebrou-se então a chamada velha aliança, que determinava que ambos os países deveriam cooperar e não se podiam atacar.

Ao longo dos séculos esta aliança foi posta à prova por diversas vezes, tendo sido respeitada por Portugal e utilizada em favor dos britânicos. Pois os meninos de sua majestade aproveitaram as boas relações que tinham com o nosso país para nos passarem a perna diversas vezes, como, por exemplo, aconteceu nos descobrimentos, nas invasões francesas, no mapa cor-de-rosa, na primeira guerra mundial, entre outras ocasiões.

A verdade é que esta velha aliança não serviu para estreitarmos relações com este país, mas sim para nos tornarmos uma espécie de colónia britânica. Isto porque ao longo da nossa história, os nossos governantes nunca tiveram coragem para enfrentar as autoridades britânicas e, devido a isso, perdemos colónias e envolvemo-nos em guerras que só nos viriam a prejudicar.

Ainda hoje, Portugal é refém dessa velha aliança e o caso mais recente está relacionado com o caso Madeleine Mccain. Mais uma vez, voltamos a fazer tudo aquilo que os britânicos nos ordenam. A criança desaparece, em nosso território, e quem comanda a operação? A Polícia Inglesa, pois claro. As autoridades de sua majestade apenas apostaram na tese de rapto e só quando a Polícia Judiciária tomou conta as operações o caso, subitamente, mudou de rumo, parecendo a verdade estar a ser desvendada.

No entanto, as investigações continuaram, bem como a cooperação entre as polícias dos dois países. E quando o inspector da Judiciária Gonçalo Amaral veio falar a público a verdade e não mais que a verdade, é surpreendentemente (ou talvez não!) afastado do caso, ficando novamente provado que Portugal é um pau mandado dos ingleses como o foi ao longo de toda a nossa história.

Ao longo destes meses em que o caso se tem desenrolado, o nosso país tem sido enxovalhado na imprensa e na opinião pública inglesa, sem consequências para ninguém. E, agora, quando alguém na nossa sociedade tem coragem de enfrentar o “gigante” britânico sofre uma série de consequências e é visto como mau da fita, quer em Portugal, quer na Inglaterra.

Suponhamos, somente, que fosse uma criança portuguesa que desaparecia em território britânico: alguma vez a Polícia Britânica permitiria que as autoridades lusas cooperassem nas investigações? Claro que não, uma vez que ao longo da nossa história a Inglaterra foi sempre o patrão e Portugal nem empregado foi, mas sim escravo.

Miguel Pereira
Sub-director

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Outubro 6, 2007