Editorial: O país meteu água

By oonline

Miguel Pereira*

Segunda, 19 de Fevereiro. Um português comum acordava, arranjava-se, e preparava-se para ir para o trabalho. Ao arrancar o carro e depois de conduzir cem metros, verifica que a cidade está repleta num caos. Uma longa fila de carros a apitar, as estradas inundadas e pessoas a tentar evitar que a água entrasse para as suas casas.

Se por transporte próprio era difícil circular, as coisas também não estavam melhores nos transportes públicos: os autocarros tiveram imensas dificuldades em cumprir horários, o metropolitano de Lisboa teve algumas estações encerradas e a Linha de Comboios do Sado teve alguns problemas de circulação.

Já não chovia tanto na capital portuguesa desde 1983, o que provocou as piores cheias dos últimos dez anos. Os danos foram por demais evidentes: mortos, feridos, casas destruídas, carros submersos … Durante toda a segunda-feira, a protecção civil esteve incansável, recebendo diversos pedidos de auxílio por toda a zona metropolitana de Lisboa.

Agora não é altura de dizer que a culpa é das autarquias, como disse o Ministro do Ambiente, ou que a culpa é dos Ministério do Ambiente, como retorquiram os autarcas afectados pelas cheias. Neste momento, há que avaliar os estragos e arranjar soluções para os mesmos.

Com as cada vez mais frequentes ondas de calor, situações destas poderão repetir-se com frequência no futuro e de forma ainda mais grave. Portanto, é necessário desde já começar a preparar as cidades. É verdade que não podemos evitar as fúrias das mãe natureza, podemos, contudo, fazer de forma a que no futuro os estragos sejam menores. É preciso urgentemente melhorar os sistemas de drenagem e de saneamento básico, com limpezas e manutenções frequentes, e também evitar construções nos leitos das cheias, porque medidas como estas permitirão que os estragos sejam menores no futuro.

*Sub-director

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