Arquivo de Novembro, 2007

Editorial: Criança, outra vez

Novembro 27, 2007

Marisa Alexandra Batista*

Não, não sou nenhuma infatilista e há muito que deixei de brincar com bonecas. Enquanto brinquei com elas, estimei-as como se fossem o meu bem mais precioso, o meu tesouro.

Hoje, com 21 anos ainda me delicio com os filmes de animação que invadem as salas de cinema. Por momentos, deixo de lado a jornalista de cinema, directora deste jornal, finalista de curso e dona de casa.

Esta sexta deparei-me com uma notícia na do OJE que me deixou profundamente agradada. Tratava-se da abertura da 1ªDisney Store em Portugal. Há sensivelmente um mês que aguardava a sua abertura. A simples ideia de vir a ter um Disney Store no meu Shopping de eleição, levava-me dos tempos de criança. Quando me deliciei durante uma hora nos Champs Elisées.

Ao tomar conhecimento da boa nova corri para o C.C. Colombo para ver o resultado. A loja está muitíssimo bem organizada e com uma escolha perfeita de produtos. Qual o meu espanto quando reparei que pessoas de todas as idades passeavam por aquele local. Era preciso pedir licença para circular nos corredores e fazer fila para ver certos expositores.

Os rostos mostravam sorrisos alegres e olhos brilhantes. Ali a idade do BI não contava. Ali, naquele instante, independentemente do ano de nascimento, éramos todos crianças.

Do menino de cinco anos, ao pai, passando pela avó e até mesmo pelos funcionários da loja. Era uma alegria contagiante. Um encontro nostálgico com os ídolos da nossa infância, ali mesmo à mão de semear e a implorar para ir connosco para casa.

Já sabe, da próxima vez que passar pelo Centro Comercial do Colombo, passe pela Disney Store e liberte a criança que há em si.

*Directora

Editorial: Só se não fosse em Portugal

Novembro 18, 2007

Miguel Pereira

Sempre disse que tenho muito orgulho em ser português, apenas não tenho, porém, orgulho dos portugueses e da forma como funcionam as instituições no nosso país. Infelizmente, nos últimos tempos, tenho cada vez mais certezas daquilo que afirmo.

Na última sexta-feira, dirigi-me ao aeroporto para ir buscar a minha mãe, que vem cá alguns dias para me fazer companhia. Tudo parecia aparentemente normal: saí do trabalho, fui até às Amoreiras comer qualquer coisa e depois apanhei, a fim de me dirigir para o aeroporto, um autocarro que até dá uma grande volta por Lisboa, antes de chegar à Portela.

Enquanto estava naquele meio de transporte, quieto, no meu canto, a ouvir música no ipod, constatei novamente quão bela é a capital do nosso país. Do Parque Eduardo VII, passando pelo Arco do Cego e pela Avenida Gago Coutinho, é impossível não ficar fascinado com esta boémia alfacinha.

Após chegar ao destino, o aeroporto de Lisboa – ainda localizado na Portela – sabia à priori que tinha uma longa espera pela frente, mas nunca pensei que seria tão longa.

Desloquei-me logo para local das chegadas e sentei-me a ler, num daqueles sofás confortáveis lá presentes. Por volta das 22:30, a minha mãe liga-me a dizer que o avião estava atrasado, embora a TAP não tivesse dito nada.

Continuei sentado, calmo e sereno, a adiantar leitura de a Sangue Frio, de Truman Capote, até às 00:35, altura em que o ecrã indicou que o avião já havia aterrado.

Levanto-me do confortável sofá, desloco-me para o local da saída dos passageiro, quando recebo uma chamada do meu irmão, adepto do Benfica e do Nacional, a dizer que o atraso se “devia à grande equipa que tinha ido jogar ao Estádio da Madeira”.

Minutos depois, constatei que tal a história era verdade, pois a comitiva do S.L. Benfica, que tinha ido à inauguração do Complexo Desporto do C.D. Nacional, saía rumo ao autocarro do clube.

Ainda alguns minutos depois – porque a plebe tem de esperar pelas malas – chega a minha mãe a confirmar que tinha viajado com a equipa encarnada, o que causou grande euforia nuns passageiros e frustração noutros. Sim, sim, frustração, uma vez que o avião atrasou uma hora trinta minutos por causa do S.L. Benfica. O que acaba por ser ainda mais parvo é ninguém da TAP informar os passageiros a razão do atraso e quando a hospedeira ia pedir desculpa, de modo a explicar o porquê da demora, a chamada foi, curiosamente, abaixo. Engraçado, não é?

Fiquei a perguntar-me, de queixo caído, como é possível uma colectividade reservar um voo para às 21:45, hora em que acabava o jogo que opunha o Nacional ao Benfica, e como é que a mais emblemática companhia aérea portuguesa aceitou que o clube da Luz fizesse a reserva para aquela hora? Ah, desculpem, esqueci-me que estamos em Portugal, um país onde os interesses e as cunhas prevalecem à ordem natural das coisas. Enfim, Portugal no seu melhor.

*Sub-director

Destaques desta edição 8ªedição

Novembro 18, 2007

ÚLTIMA HORA:

Novembro 15, 2007

Afinal, David Lynch vem ao Estoril

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Marisa Alexandra Batista*

O David Lynch vai estar no Estoril no próximo sábado, para uma masterclass sobre meditação transcendental, a decorrer pelas 14h00, no Centro de congressos do Estoril.

Ainda está a decorrer a retrospectiva da sua filmografia na 1.ª edição do European Film Festival no Estoril. A organização do festival apresentou as suas longas e curtas-metragens. Aproveitou também para trazer a Portugal Julee Cruise, a cantora da banda sonora de Twin Peaks. Confirmada estava também a presença da actriz Sheryl Lee, conhecida como a morena de Mulholland Drive, que acabou por cancelar devido a motivos de saúde.

Sexta-feira à noite, na gala de encerramento a decorrer no Casino Estoril, David Lynch será galardoado com um prémio.

* Repórter no European Film Festival

Quando as estradas se tornam um campo de batalha

Novembro 12, 2007

Já não é de agora que as questões acerca da Segurança Rodoviária se levantam. Portugal é dos países europeus com maior taxa de sinistralidade rodoviária, embora continuem a afirmar que esta taxa tem vindo a decrescer.

Esta semana foi extremamente dramática nas estradas portuguesas. Não houve um único dia que notícias sobre acidentes e atropelamentos não fizessem parte do alinhamento do telejornal. Pessoalmente não tenho memória de uma semana tão trágica.

Na segunda-feira assistimos a um acidente na A23, que vitimou 16 pessoas e feriu mais de 20, foi desde a queda da ponte de Entre-Os-Rios o mais trágico ocorrido nas estradas portuguesas. Nesse mesmo dia, à noite, uma brutal colisão entre dois veículos em Albufeira na EN125 matou 2 pessoas e feriu uma com gravidade. Curiosamente, nesse mesmo dia, tinha tido lugar, da parte da manhã, uma iniciativa da Associação de Cidadãos Auto – Mobilizados junto à passadeira da Praça do Comércio, onde foram atropeladas 3 pessoas.

Na terça-feira somos “sacudidos” com mais um caso de atropelamento. Em Tires, duas crianças de 4 e 6 anos, acompanhadas pela avó são colhidas em plena passadeira. Depois de na semana passada ter ocorrido um caso similar na Praça do Comércio que vitimou mãe e filha.

Chegamos a quarta-feira e mais uma notícia trágica. Maria Amélia Guímaro, deputada da Assembleia Municipal da Figueira da Foz passeava com o marido na EN109 quando foi colhida por um Mercedes. Não resistiu aos ferimentos.

Na quinta-feira, o cenário é a IC2. Um pesado “esmaga” um automóvel. Uma vítima mortal a lamentar.

Devemos encarar estes cenários como verdadeiras catástrofes nacionais. Não podemos lavar as mãos e fingir que está tudo bem. Algo deve ser feito para acabar com a mortandade nas estradas portuguesas.

A raiz do problema até pode ser fácil de detectar. Em Portugal praticamente não existe civismo rodoviário. Sinais luminosos, e outros que tal não fazem qualquer sentido na cabeça dos condutores. A juntar a isto, a mediocridade de algumas estradas que se transformam em verdadeiros corredores da morte.

Que podemos fazer? Criar condições, desde cedo, para que os jovens condutores de amanhã sejam mais cívicos e respeitadores. Só desta forma poderemos contribuir para a paz na estrada.

Fábio Canceiro

Sub Director

Vídeo da semana

Novembro 11, 2007

Destaques desta edição 7ªedição

Novembro 11, 2007

Editorial: Hollywood “chegou” a Portugal

Novembro 6, 2007

Marisa Alexandra Batista*

Na passada quarta-feira os cinemas do Freeport Alcochete preparam-se para receber uma ante-estreia fora do normal. Refiro-me à ante-estreia do filme Corrupção. Se o nome não provoca qualquer espécie de flash na sua cabeça trata-se do filme sobre o livro de Carolina Salgado, ex-“mulher” do Pinto da Costa (Presidente do FCP).

Há muitos livros que dão origem a filmes. Contudo, poucos são os que recebem tanto interesse por parte da imprensa. O livro foi citado na imprensa e até mesmo o filme viu o seu diário de rodagem ser publicado dia após dia.

Na semana que antecedeu a ante-estreia o filme voltou a ser notícia. A actriz Margarida Vila-Nova não apareceu na apresentação do filme. E o realizador, João Botelho, não assinou o filme por razões contratuais e devido às alterações que o produtor, António Cebrian Valente, fez na montagem.

A ante-estreia ficou marcada pela passadeira vermelha, limusinas, confetis, concerto, muitas caras conhecidas, bar aberto, flashes e um cenário magnífico. Carolina Salgado foi o gosto mais aguardado e seguido do evento. Era preciso fotografar e conseguir declarações. Sem ela nada daquilo teria sido possível.

João Botelho, Leonor Pinhão e Margarida Vila-Nova não marcaram presença. Corrupção é o primeiro filme europeu sem realizador. Algo inédito uma vez que a lei do Audiovisual existente na Europa protege o realizador. E deve prevalecer sempre a versão do realizador. Algo que acabou por não acontecer neste caso. Existe ainda muito por explicar. Há ainda a hipótese de João Botelho vir a publicar ou exibir a sua versão do filme.

Corrupção termina a trama com um “Continua” e eu… fico aqui à espera dos próximos capítulos.

* Directora

Principais destaques desta 6ª Edição

Novembro 6, 2007