Por estes dias, o nosso país está no centro do mundo. Primeiro, foi a Cimeira da União Europeia, onde, finalmente, se chegou a um acordo para uma Constituição Europeia e onde se assinou o tão apregoado, por José Sócrates, Tratado de Lisboa. Mais recentemente, foi a Cimeira UE/Rússia, que trouxe a Portugal o presidente russo, Vladimir Putin.
É incrível como este pequeno rectângulo à beira do Atlântico – que muitos ainda pensam que é uma província de Espanha – pode ser palco de tão importantes acontecimentos na actualidade internacional.
O que é ainda mais incrível – além de trânsito surreal que estava no Marquês de Pombal no dia da chegado de Putin – é como é que um país, que, por vezes, não consegue controlar os problemas internos, porta-se tão bem nestas cimeiras e tem sempre um papel preponderante nas mesmas.
No entanto, refira-se que o executivo de José Sócrates tem tido pulso forte na sua gestão e com medidas muito pouco populistas – exigindo muito sacrifício aos portugueses – conseguiu pela primeira vez atingir um deficit de 3%.
Portanto, nas Relações Internacionais, o governo socialista tem tido esse mesmo pulso demonstrado internamente, sendo dessa forma que foi possível chegar a uma acordo para se chegar ao tão almejado Tratado de Lisboa.
A assinatura do Tratado também foi possível graças á cooperação cordial entre Sócrates e Durão Barroso, presidente da Comissão Europeia, o que faz aumentar ainda mais o poder luso dentro da União Europeia.
Porém, não há bela sem senão, e a presidência da União Europeia está a fazer com que o governo se distancie dos problemas internos, com consequências para a popularidade do primeiro-ministro, que, à semelhança do que aconteceu com Cavaco e Guterres nas anteriores presidências portuguesas da União Europeia, está cair das sondagens.
Miguel Pereira
Sub-director