Arquivo de Outubro, 2007

Cimeiras e mais cimeiras

Outubro 28, 2007

Por estes dias, o nosso país está no centro do mundo. Primeiro, foi a Cimeira da União Europeia, onde, finalmente, se chegou a um acordo para uma Constituição Europeia e onde se assinou o tão apregoado, por José Sócrates, Tratado de Lisboa. Mais recentemente, foi a Cimeira UE/Rússia, que trouxe a Portugal o presidente russo, Vladimir Putin.

É incrível como este pequeno rectângulo à beira do Atlântico – que muitos ainda pensam que é uma província de Espanha – pode ser palco de tão importantes acontecimentos na actualidade internacional.

O que é ainda mais incrível – além de trânsito surreal que estava no Marquês de Pombal no dia da chegado de Putin – é como é que um país, que, por vezes, não consegue controlar os problemas internos, porta-se tão bem nestas cimeiras e tem sempre um papel preponderante nas mesmas.

No entanto, refira-se que o executivo de José Sócrates tem tido pulso forte na sua gestão e com medidas muito pouco populistas – exigindo muito sacrifício aos portugueses – conseguiu pela primeira vez atingir um deficit de 3%.

Portanto, nas Relações Internacionais, o governo socialista tem tido esse mesmo pulso demonstrado internamente, sendo dessa forma que foi possível chegar a uma acordo para se chegar ao tão almejado Tratado de Lisboa.

A assinatura do Tratado também foi possível graças á cooperação cordial entre Sócrates e Durão Barroso, presidente da Comissão Europeia, o que faz aumentar ainda mais o poder luso dentro da União Europeia.

Porém, não há bela sem senão, e a presidência da União Europeia está a fazer com que o governo se distancie dos problemas internos, com consequências para a popularidade do primeiro-ministro, que, à semelhança do que aconteceu com Cavaco e Guterres nas anteriores presidências portuguesas da União Europeia, está cair das sondagens.

Miguel Pereira
Sub-director

Principais destaques desta 5ª Edição

Outubro 28, 2007

Editorial: O Caso José Rodrigues dos Santos e a Democracia

Outubro 20, 2007

 As divergências entre o jornalista José Rodrigues dos Santos e a RTP já se arrastam desde 2004. Na altura, José Rodrigues dos Santos era director de informação e, segundo o próprio, foi desautorizado pela administração da RTP na nomeação da correspondente em Madrid, Rosa Veloso. Foi o quanto bastou para que o pivô se demitisse do cargo de director de informação.

Estamos em 2007 e, 3 anos depois, este caso volta a ganhar novos contornos. A 7 de Outubro, o jornal Público publica uma entrevista com José Rodrigues dos Santos, onde este tece duras críticas à administração da televisão pública. Entre outras acusações o pivô diz que “a administração da RTP «passa recados» do poder político” e que ele ainda hoje está a pagar por se opor às pressões vindas da administração. Estas declarações caíram que nem uma “bomba” no seio da administração da RTP, que nos dias que se seguiram elaborou um comunicado a negar as acusações feitas por José Rodrigues dos Santos. No comunicado pode ler-se que a administração “repudia veemente, por serem falsas, as afirmações proferidas… às quais atribui a maior gravidade, uma vez que põe em causa a imagem da RTP, designadamente no que toca à informação prestada aos portugueses”. Além disto, acusam José Rodrigues dos Santos de estar a procurar protagonismo ao adoptar um discurso de vitimização.

Mais do que saber quem tem razão ou não, interessa dar enfoque aquele que me parece ser o verdadeiro cerne da questão: A possível promiscuidade latente entre o poder político e o jornalismo. As pressões exercidas pelo poder político sobre os critérios editoriais adoptados pela RTP, podem parecer invisíveis, mas à mínima suspeita vêm ao de cima antigos fantasmas que ensombram a frágil democracia em que vivemos desde o 25 de Abril de 1974. Ainda muito recentemente, aquando do caso da licenciatura de José Sócrates, vieram a público notícias que davam conta da existência de pressões exercidas por acessores do Primeiro-ministro. Foi quanto bastou para que se especulasse que a Democracia estava em perigo. O caso José Rodrigues dos Santos parece ter vindo reacender mais essa chama de desconfiança. E com isto, a credibilidade do jornalismo e dos jornalistas poderá estar em risco.

Fábio Canceiro

Sub-Director

Principais destaques desta 4ª Edição:

Outubro 20, 2007

Editorial: Ambiente igual a Paz?

Outubro 14, 2007

Na última sexta-feira, às 10h00 (hora Portuguesa), foi anunciado o novo Nobel da Paz. Recebi a notícia numa situação especial. Encontrava-me no estúdio de rádio a preparar um noticiário com outros colegas futuros jornalistas. Às 10h00 tínhamos de estar no ar. E a notícia sobre o Nobel tinha de fazer parte do alinhamento.

Portátil com ligação à internet, jornais do dia, rádio e televisão ligados. A notícia chegou através da CNN. Al Gore ganhou o Nobel. Indignação. Será que ouvi bem? Sim, ganhou o Nobel. Apesar de ser admiradora do trabalho feito por Al Gore não consigo encontrar qualquer paralelismo entre ambiente e paz.

Bono Vox, vocalista dos U2, era outro dos nomes apontados. Para mim, ao longo dos últimos anos Bono tem tido um papel pacificador no mundo. Tem lutado e alertado consciências. Recebeu o Free your Mind Award, uma condecoração da MTV Europa para os que lutam por um mundo diferente.

O que se passou para Gore ganhar o Nobel? Um fortíssimo lobby político. Já tinha acontecido na última edição dos Óscares. Na manhã de sexta-feira, a CNN só falava de Al Gore e o resultado ainda não tinha sido anunciado.

Só falta agora apurar se Al Gore vai entrar na corrida à presidência dos EUA.

Marisa Alexandra Batista
Directora

Principais destaques desta 3ª Edição:

Outubro 14, 2007

Editorial: A velha aliança

Outubro 6, 2007

Desde os primórdios da nação portuguesa que Portugal e Inglaterra mantêm relações de amizade. Nos reinados de D. Fernando e D. João I celebrou-se então a chamada velha aliança, que determinava que ambos os países deveriam cooperar e não se podiam atacar.

Ao longo dos séculos esta aliança foi posta à prova por diversas vezes, tendo sido respeitada por Portugal e utilizada em favor dos britânicos. Pois os meninos de sua majestade aproveitaram as boas relações que tinham com o nosso país para nos passarem a perna diversas vezes, como, por exemplo, aconteceu nos descobrimentos, nas invasões francesas, no mapa cor-de-rosa, na primeira guerra mundial, entre outras ocasiões.

A verdade é que esta velha aliança não serviu para estreitarmos relações com este país, mas sim para nos tornarmos uma espécie de colónia britânica. Isto porque ao longo da nossa história, os nossos governantes nunca tiveram coragem para enfrentar as autoridades britânicas e, devido a isso, perdemos colónias e envolvemo-nos em guerras que só nos viriam a prejudicar.

Ainda hoje, Portugal é refém dessa velha aliança e o caso mais recente está relacionado com o caso Madeleine Mccain. Mais uma vez, voltamos a fazer tudo aquilo que os britânicos nos ordenam. A criança desaparece, em nosso território, e quem comanda a operação? A Polícia Inglesa, pois claro. As autoridades de sua majestade apenas apostaram na tese de rapto e só quando a Polícia Judiciária tomou conta as operações o caso, subitamente, mudou de rumo, parecendo a verdade estar a ser desvendada.

No entanto, as investigações continuaram, bem como a cooperação entre as polícias dos dois países. E quando o inspector da Judiciária Gonçalo Amaral veio falar a público a verdade e não mais que a verdade, é surpreendentemente (ou talvez não!) afastado do caso, ficando novamente provado que Portugal é um pau mandado dos ingleses como o foi ao longo de toda a nossa história.

Ao longo destes meses em que o caso se tem desenrolado, o nosso país tem sido enxovalhado na imprensa e na opinião pública inglesa, sem consequências para ninguém. E, agora, quando alguém na nossa sociedade tem coragem de enfrentar o “gigante” britânico sofre uma série de consequências e é visto como mau da fita, quer em Portugal, quer na Inglaterra.

Suponhamos, somente, que fosse uma criança portuguesa que desaparecia em território britânico: alguma vez a Polícia Britânica permitiria que as autoridades lusas cooperassem nas investigações? Claro que não, uma vez que ao longo da nossa história a Inglaterra foi sempre o patrão e Portugal nem empregado foi, mas sim escravo.

Miguel Pereira
Sub-director

Principais destaques desta 2ª Edição

Outubro 6, 2007